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"O Rosário" (Venerável Papa Pio XII)
Seguindo as Constituições da Ordem Carmelita Descalça Secular, "o Secular se empenhará em conhecer cada dia mais a pessoa de Maria através da leitura do Evangelho, para comunicar aos demais a autêntica piedade mariana, que leva à imitação de suas virtudes. Guiados pelo olhar da fé, os membros da Ordem Secular celebrarão e promoverão o culto litúrgico da Mãe de Deus à luz do mistério de Cristo e da Igreja e praticarão, com sentimentos de fé e amor, os exercícios devocionais em sua honra" (Const. OCDS, 31).

Em comunhão com o Carmelo e com a Igreja, partilhamos o Discurso proferido pela Sua Santidade, o Venerável Papa Pio XII, , 24 de novembro e 8 de outubro, 1941.

"O rosário, segundo a etimologia própria da palavra, é uma coroa de rosas; encantadora coisa, que em todos os povos representa uma oferta de amor e um sinal de alegria. Mas estas rosas não são aquelas das quais se adornam apressadamente os ímpios, dos quais fala a Sagrada Escritura "Coroemo-nos de rosas - exclamam eles -, antes que murchem". As flores do rosário não se envilecem; o seu frescor é incessantemente renovado pelas mãos dos devotos de Maria, e a diversidade das idades, dos países e das línguas dá àquelas rosas a variedade de suas cores e de seus perfumes.

Queremos que aumente a devoção ao Santo Rosário de Maria, devoção a que a piedade ligou-se por tantas recordações e que se harmoniza tão bem com todas as circunstâncias da vida doméstica, com todas as necessidades e disposições de cada membro da família.

Rosário dos novos esposos, que um ao lado do outro recita na aurora da nova família, diante da vida que se abre com as suas alegres previsões, mas também com os seus mistérios e com as suas responsabilidades. É tão doce, na alegria destes primeiros dias de intimidade total, colocar em tal modo esperanças e propósitos do futuro sob a proteção da Virgem toda pura e potente, da Mãe amante e misericordiosa, cujas alegrias, dores e glórias passam diante dos olhos da alva devota, enquanto se seguem as dezenas de ave-marias, rememorando os exemplos da mais santa das famílias!

Rosários das crianças; rosário dos pequenos, que tendo entre os seus minúsculos dedos ainda inexperientes os grãos da coroa, repetem lentamente, com aplicação e esforço, mas também com amor, os pai-nossos e ave-marias, que a mãe pacientemente lhes ensinou, errando, é verdade, por vezes, hesitam, confundem-se; mas é tão confiante o candor de seus olhares que fixam sobre a imagem de Maria, daquela na qual já sabem reconhecer a sua grande Mãe do céu! Pois será o rosário da primeira comunhão, que tem um lugar à parte entre as recordações daquele grande dia; belo, mas não tanto quanto, por vezes deveria ser. Belo rosário, mas não apenas um vão objeto de luxo, mas pelo contrário o instrumento que ajuda a orar e lembra, tornando presente ao pensamento: Maria.

Rosário da jovem, já grande, alegre e serena, mas, ao mesmo tempo, séria e pensativa do seu futuro; que confia a Maria, Virgem Imaculada, prudente e benigna, os desejos de dedicação e o dom de si, que ela sente desabrochar no coração; ora por aquele jovem, ainda desconhecido para ela, mas conhecido por Deus, que a Providência lhe destina, e ela queria semelhante a si, cristão fervoroso e generoso.

Este rosário, que ama recitar aos domingos, juntamente com as suas companheiras, deverá durante a semana recitá-lo talvez entre os cuidados da casa, ao lado da mãe, ou entre as horas de trabalho no escritório, ou no campo, quando tiver um momento para ir à humilde igreja mais próxima.

Rosário do jovem, aprendiz, estudante, agricultor, que se prepara, trabalhando corajosamente, para ganhar um dia o pão para si e para os seus, coroa que ele conserva preciosamente, como uma proteção daquela pureza que quer levar intata ao altar no dia das núpcias; rosário que recita sem respeito humano nos momentos livres para o recolhimento e a oração; que o acompanha sob o uniforme militar, em meio das fadigas e das lutas da guerra, que aperta uma última vez, no dia em que a pátria talvez lhe peça o supremo sacrifício, e que os seus companheiros de armas encontrarão comovidos entre os seus dedos frios e sangrando.

Rosário da mãe de família, da operária ou da camponesa; simples, sólido, usado já desde muito tempo, que ela não poderá talvez pegar senão à tarde, quando, bem cansada de sua jornada, encontrará ainda em sua fé e no seu amor a força de recitá-lo, lutando com o sono, para todos os seus caros, por aqueles especialmente que sabe mais expostos a perigos da alma ou do corpo, que teme tentados ou aflitos, que vê com tanta tristeza se afastarem de Deus. Rosário da mulher do mundo, talvez mais rica, mas muitas vezes carregada de preocupações e de angústias ainda mais pesadas.

Rosário do pai de família, do homem trabalhador e enérgico, que jamais esquece de trazer consigo a sua coroa, juntamente com a caneta-tinteiro e o caderninho de notas; que, grande professor, renomado engenheiro, célebre clínico, advogado eloquente, genial artista, agrônomo experiente, não se envergonha de recitá-lo com devota simplicidade nos breves momentos arrancados à tirania do trabalho profissional, para ir retemperar a alma de cristão na paz de uma igreja, aos pés do tabernáculo.

Rosário dos velhos; velha vovó, que faz incansavelmente correr as contas entre os dedos enrugados, no fundo da igreja, até quando ela para ali puder arrastar-se com suas pernas enrijecidas, ou durante as longas horas de forçada imobilidade sobre a cadeira, ao lado do fogão. Velha tia, que todas as suas forças consagrou ao bem da família, e agora, aproximando-se o término de sua vida, toda empregada em boas obras, alterna, inexaurivelmente, em sua dedicação, os pequenos serviços que ainda pode prestar, com as numerosas dezenas de ave-marias, que diz sem cessar, com o seu terço.

Rosário do moribundo, nas horas extremas, como um último apoio apertado em suas mãos trementes, enquanto ao lado os seus caros o recitam em voz baixa; rosário que permanecerá sobre o peito dele, juntamente com o crucifixo, para atestar a sua confiança nas misericórdias divinas e na intercessão da Virgem, da qual estava pleno aquele coração que cessou de bater.

Rosário, finalmente, da família inteira, recitado em comum por todos, pequenos e grandes; que reúne à tarde, aos pés de Maria, aqueles que o trabalho do dia tinha separado e disperso; que os reúne com os ausentes e os desaparecidos; a recordação se reaviva em uma oração fervorosa, que consagra deste modo a ligação que os reúne todos sob o cuidado materno da Imaculada Rainha do Santíssimo Rosário.

Em Lourdes, como em Pompéia, Maria quis mostrar, com inumeráveis graças, quanto lhe é agradável esta oração, à qual Ela convida sua confidente Santa Bernadete, acompanhando as ave-marias da criança, com o lento correr de seu belo rosário, reluzente como as rosas de ouro que brilhavam sobre seus pés." 

 
 

 

 
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